Internacionalização em 2027: empresários brasileiros terão de adaptar estratégias ao próximo governo
Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro coloca câmbio, tributação, segurança jurídica e relações comerciais com os Estados Unidos no centro das decisões de expansão internacional.

O resultado das eleições presidenciais de 2026 poderá influenciar os planos de empresas brasileiras que pretendem ampliar suas operações nos Estados Unidos. Embora os dois candidatos apresentem orientações econômicas distintas, especialistas em internacionalização apontam que segurança jurídica, previsibilidade econômica e planejamento empresarial continuarão sendo fatores determinantes para a expansão internacional.
Com a proximidade da definição presidencial, empresários precisam avaliar como as diferentes propostas econômicas poderão repercutir sobre investimentos, custos operacionais e relações comerciais.
Continuidade ou mudança na política econômica
Uma eventual reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva tende a preservar a orientação econômica atual, marcada por políticas industriais, participação do Estado no desenvolvimento econômico e diversificação das relações comerciais internacionais.
Para empresas brasileiras, esse cenário poderá oferecer continuidade administrativa, mas também exigirá atenção à evolução das relações comerciais com os Estados Unidos, especialmente diante das tarifas aplicadas a determinados produtos brasileiros.
Já uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderá representar uma mudança na condução econômica e diplomática do país.
A agenda defendida pelo candidato inclui redução de gastos públicos, revisão de regras fiscais, maior participação da iniciativa privada e aproximação diplomática com Washington.
Essa orientação poderá estimular expectativas de melhoria nas relações bilaterais, embora seus efeitos concretos dependam das negociações entre os governos e da implementação das propostas econômicas.
Em ambos os cenários, as empresas continuarão expostas a fatores como volatilidade cambial, custos financeiros, alterações regulatórias e decisões de política comercial norte-americana.
Para Fredson Justo, executivo de operações globais e fundador da Krafys, empresa especializada em soluções financeiras e estruturação empresarial nos Estados Unidos, a internacionalização exige condições econômicas e institucionais que permitam ao empresário planejar investimentos de longo prazo.
“O avanço das empresas brasileiras no cenário internacional está diretamente ligado à existência de um ambiente econômico confiável, regras claras e parcerias comerciais capazes de abrir novos caminhos para os negócios. Independentemente do resultado das eleições, é essencial que o Brasil ofereça condições mais favoráveis ao empreendedorismo, elimine entraves administrativos e fortaleça sua presença em economias estratégicas, sobretudo a norte-americana. Para quem investe e empreende, o verdadeiro diferencial de um governo está menos nas intenções anunciadas e mais na sua capacidade de criar condições efetivas para o crescimento e a expansão dos negócios”, destaca Fredson Justo.
A avaliação reforça que o sucesso de uma operação internacional não depende exclusivamente das relações diplomáticas entre os países.
A escolha do estado norte-americano, a definição da estrutura societária, a gestão de custos e o planejamento tributário podem representar diferenças significativas na viabilidade de um projeto de internacionalização.
Empresas precisam olhar além das eleições
Embora o resultado presidencial possa influenciar as expectativas do mercado, decisões de internacionalização exigem uma visão de longo prazo.
Para empresas brasileiras, a entrada nos Estados Unidos envolve desafios que vão desde a adaptação cultural até a formação de equipes, estruturação financeira, posicionamento comercial e cumprimento das exigências regulatórias.
O ambiente norte-americano apresenta oportunidades para diferentes segmentos, mas exige competitividade e capacidade de adaptação.
Independentemente de quem vencer as eleições, o mercado norte-americano continuará representando uma alternativa estratégica para marcas brasileiras que buscam diversificar receitas, ampliar sua presença internacional e alcançar novos consumidores.
A diferença estará na capacidade de cada empresa de interpretar as mudanças econômicas e transformar oportunidades em operações estruturadas.
O próximo governo poderá influenciar o ambiente de negócios, mas não eliminará os desafios inerentes à internacionalização.
Para empresários que planejam expandir suas atividades em 2027, a preparação financeira, a organização operacional e o conhecimento do mercado de destino serão tão importantes quanto o cenário político brasileiro.
Publicado por João Costa: jornalista, assessor de imprensa, comunicador, relações públicas, colunista internacional além de membro do ecossistema OVAL TABLE, membro da Associação Paulista de Imprensa (API) e da Associação Brasileira de Imprensa e Mídia Eletrônica (ABIME). Na Revista Grandes Negócios assina a coluna “João Costa”

