Boteco do Manolo mira mercados fora dos grandes eixos em nova fase de expansão
Com investimento a partir de R$ 4,5 milhões, rede de alimentação aposta em lojas de rua e seleciona novas praças para crescer no Brasil

No mercado de franquias de alimentação, escolher onde não abrir uma unidade pode ser tão importante quanto decidir onde investir. É com essa lógica que o Boteco do Manolo desenha sua próxima etapa de crescimento no Brasil.
Depois de levar a marca aos Estados Unidos, a rede fundada pela família Barcia direciona agora a expansão para mercados brasileiros que reúnam poder de consumo, espaço para novas operações e condições para sustentar restaurantes de grande porte. Brasília está entre as praças selecionadas, ao lado de regiões do interior de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Cuiabá, Belo Horizonte e Londrina.
A estratégia passa longe de uma corrida por quantidade de unidades. A empresa quer encontrar cidades e parceiros capazes de reproduzir uma operação construída ao longo de mais de duas décadas.
À frente do negócio está Marcelo Riveiro Barcia, filho de Manuel Barcia Riveiro, o Manolo que deu nome à marca. Sua relação com restaurantes começou antes mesmo da adolescência: aos 12 anos, já acompanhava de perto a rotina de uma cozinha profissional.
Uma das apostas do Boteco do Manolo está nas unidades de rua. Em determinadas regiões, a rede entende que esse formato pode oferecer uma relação mais favorável entre despesas operacionais e potencial de faturamento do que pontos instalados em shopping centers.
A escolha, porém, não é automática. Localização, segurança, circulação de consumidores e perfil socioeconômico da região fazem parte da análise antes da implantação.
A tese ajuda a explicar por que cidades fora dos maiores centros passaram a ocupar espaço relevante no planejamento da companhia. Em vez de disputar apenas endereços tradicionalmente cobiçados pelo franchising, a rede procura identificar mercados onde ainda exista demanda para operações de alimentação estruturadas e menor concentração de concorrentes do mesmo porte.
O modelo exige um investidor com capacidade financeira compatível com uma operação de grande dimensão. O investimento inicial previsto é de aproximadamente R$ 4,5 milhões, além de cerca de R$ 350 mil destinados ao capital de giro. Os royalties correspondem a 6% do faturamento bruto, enquanto 1% é direcionado ao fundo de propaganda.
Segundo projeções apresentadas pela rede, o retorno sobre o investimento pode variar entre 2% e 4% ao mês, de acordo com praça, desempenho e características da unidade. Em operações de rua com performance superior, a companhia trabalha com cenários que podem alcançar 8% ao mês.
O prazo estimado para recuperação do investimento gira em torno de 24 meses nos modelos convencionais e pode cair para aproximadamente 16 meses nas unidades de melhor desempenho. Como ocorre em qualquer projeção de franquia, os resultados dependem da execução da operação e das condições específicas de cada mercado.
A entrada nos Estados Unidos acrescentou uma nova camada à estratégia da empresa. Mais do que reproduzir fora do país um conceito brasileiro de boteco, a experiência permitiu testar processos e observar a capacidade da marca de conversar com públicos diferentes.
Agora, parte desse aprendizado é incorporada ao plano de crescimento nacional.
Para Marcelo Riveiro Barcia, a expansão deve combinar ambição e disciplina financeira.
“Estamos avaliando cada nova praça com bastante critério. Antes de avançar, precisamos entender o perfil do consumidor, a estrutura disponível e a capacidade de a unidade operar com eficiência. Crescer é importante, mas queremos garantir que cada restaurante tenha condições de se consolidar e gerar valor para a marca e para o franqueado”, afirma.
A seleção do franqueado, portanto, ganha peso semelhante ao da escolha do endereço. A franqueadora prevê treinamento, acompanhamento da implantação e suporte presencial na abertura da unidade, com assistência durante o período de estabilização da operação.
O desafio é conhecido no franchising: crescer sem permitir que a velocidade da expansão comprometa padrão, serviço e rentabilidade.
Para uma marca com mais de 20 anos de trajetória, o próximo ciclo não está sendo desenhado apenas sobre um mapa de novas cidades. Está sendo construído a partir de uma pergunta essencial para qualquer empresa que pretende ganhar escala: onde existe espaço para crescer com margem?
No caso do Boteco do Manolo, a resposta começa a apontar para além dos endereços mais óbvios do país. Interior de SP é a região Centro Oeste é uma das próximas apostas — mas faz parte de uma estratégia maior, que enxerga nas cidades e regiões fora dos grandes eixos uma nova avenida para a expansão da marca.
Publicado por João Costa: jornalista, assessor de imprensa, comunicador, relações públicas, colunista internacional além de membro do ecossistema OVAL TABLE, membro da Associação Paulista de Imprensa (API) e da Associação Brasileira de Imprensa e Mídia Eletrônica (ABIME). Na Revista Grandes Negócios assina a coluna “João Costa”

