Assessora de imprensa de Steve B é declarada morta por banco e tem cartão cancelado
Por Betoh Cascardo
Produtora e assessora de imprensa do cantor internacional Steve B afirma ter vivido uma das situações mais constrangedoras de sua vida após ser informada pelo Itaú de que seu cartão havia sido cancelado porque ela constava como falecida. O caso levanta questionamentos sobre os protocolos de segurança adotados pelas instituições financeiras e acende um alerta para consumidores de todo o país.
Uma ida comum a uma loja terminou em surpresa, constrangimento e indignação para Julienne Camacho, produtora e assessora de imprensa do cantor internacional Steve B.
Ao tentar realizar uma compra na tarde desta sexta-feira (17), Julienne teve seu cartão de crédito recusado. Sem qualquer aviso prévio e sabendo que todas as suas faturas estavam quitadas, inclusive antecipadamente, ela acreditou inicialmente que pudesse se tratar de uma falha técnica.
A realidade, porém, seria muito mais grave.
Ao entrar em contato com a central de atendimento do Itaú, Julienne afirma ter sido informada pela atendente de que seu cartão havia sido cancelado por motivo de óbito.
O detalhe mais surpreendente é que a cliente estava do outro lado da linha, viva, tentando entender como havia sido oficialmente considerada morta pelo próprio banco.
Segundo seu relato, a atendente informou que existia em sistema um registro indicando que, em 8 de junho de 2026, teria sido solicitada a baixa do cartão em razão do falecimento da titular.
Da loja para a agência
Sem acreditar na informação recebida, Julienne dirigiu-se imediatamente a uma agência do Itaú no Recreio dos Bandeirantes, onde foi atendida pelo gerente identificado como Bruno.
Na presença do gerente, uma nova ligação foi realizada para a central de atendimento.
De acordo com Julienne, a conversa foi gravada em vídeo e áudio, registrando novamente a confirmação da informação de que o cancelamento do cartão havia ocorrido em razão de um suposto óbito.
Segundo ela, os registros audiovisuais mostram a confirmação da própria instituição de que essa era a justificativa existente no sistema.
Até o momento do fechamento desta reportagem, Julienne afirma não ter recebido uma explicação definitiva sobre como o registro foi inserido nem quais mecanismos internos permitiram que a informação produzisse efeitos práticos.
“Mataram uma cliente viva”
O episódio provocou indignação não apenas pelo bloqueio do cartão, mas pela natureza da informação registrada.
Na prática, segundo o relato da cliente, o banco considerava oficialmente que ela havia falecido, embora estivesse viva, ativa, utilizando normalmente seus serviços bancários e com todas as obrigações financeiras rigorosamente em dia.
A situação levanta um questionamento inevitável: quais mecanismos de conferência são adotados antes que uma instituição financeira registre o óbito de um cliente?
Se uma informação dessa gravidade pode produzir efeitos sem que o próprio titular seja previamente comunicado ou que, ao menos, haja uma validação documental eficaz, especialistas apontam que o risco para consumidores pode ser significativo.
Um problema que pode atingir qualquer brasileiro
Embora o caso tenha ganhado repercussão por envolver a assessora de imprensa de Steve B, o episódio acende um alerta que ultrapassa a história de Julienne Camacho.
Milhões de brasileiros utilizam diariamente cartões bancários para compras, viagens, alimentação e despesas essenciais.
Um erro dessa natureza pode impedir pagamentos, causar constrangimentos públicos, comprometer compromissos profissionais e até gerar prejuízos financeiros relevantes.
Especialistas em Direito do Consumidor ressaltam que instituições financeiras respondem objetivamente por falhas na prestação de seus serviços quando essas falhas causam danos aos clientes, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor.
Como alguém pode ser declarado morto sem comprovação?
Segundo o relato da cliente, a central informou que havia uma comunicação registrada em sistema desde 8 de junho solicitando o cancelamento do cartão por motivo de óbito.
O caso desperta dúvidas sobre quais procedimentos internos são utilizados para validar uma informação tão sensível.
Em operações dessa natureza, espera-se que existam mecanismos capazes de evitar erros graves, justamente porque um registro de falecimento pode afetar diversos serviços financeiros vinculados ao consumidor.
A Justiça já reconheceu situações semelhantes
A jurisprudência brasileira possui diversos precedentes reconhecendo a responsabilidade das instituições financeiras por falhas operacionais capazes de gerar constrangimentos e danos aos consumidores.
O Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que bancos respondem objetivamente pelos danos decorrentes de defeitos na prestação de seus serviços.
Também existem decisões reconhecendo indenizações por danos morais em situações envolvendo registros bancários indevidos e informações relacionadas ao falecimento de clientes, especialmente quando a falha gera exposição pública, transtornos ou prejuízos relevantes.
Cada caso, naturalmente, depende da análise das provas produzidas e das circunstâncias específicas.
Quais providências costumam ser recomendadas?
Especialistas em Direito do Consumidor normalmente orientam que, em situações como esta, o cliente:
- preserve todas as gravações, vídeos, protocolos e documentos;
- solicite formalmente a correção imediata dos registros internos;
- exija uma explicação escrita sobre a origem da informação;
- registre reclamação junto ao Banco Central, Procon e demais órgãos de defesa do consumidor;
- avalie o ajuizamento de ação judicial para reparação de eventuais danos materiais e morais decorrentes da falha.

O espaço permanece aberto
Até o fechamento desta reportagem, segundo Julienne Camacho, nenhuma explicação definitiva havia sido apresentada sobre a origem do registro que levou ao cancelamento do cartão por suposto óbito.
A reportagem mantém espaço aberto para manifestação oficial do Itaú, caso a instituição deseje esclarecer os fatos, explicar os procedimentos adotados e informar quais medidas estão sendo tomadas para evitar que situações semelhantes atinjam outros consumidores.
Mais do que um episódio isolado, o caso reacende o debate sobre a responsabilidade das instituições financeiras na proteção de dados de seus clientes e sobre a necessidade de protocolos rigorosos antes da adoção de medidas capazes de produzir consequências tão graves para a vida de uma pessoa.

