Ultramaratona aquática e os impactos na pele e nos cabelos
Renata Guerra, ultramaratonista aquática, compartilha cuidados essenciais para atletas de resistência na água

A ultramaratona aquática exige preparo físico rigoroso, resistência mental e disciplina constante. No entanto, há um aspecto frequentemente negligenciado por atletas e praticantes da modalidade: o impacto prolongado da água, do sol e do atrito sobre a pele e os cabelos. A exposição contínua ao cloro, à água salgada, ao vento e à radiação solar pode causar danos cumulativos que vão além da estética, afetando diretamente a saúde.
Ultramaratonista aquática, Renata Guerra convive diariamente com esses desafios e compartilha orientações práticas baseadas em sua vivência no esporte de resistência.
A pele como primeira linha de proteção
Durante provas e treinos extensos, a pele permanece por horas em contato direto com agentes agressivos. Sem proteção adequada, surgem quadros de ressecamento intenso, dermatites, queimaduras solares e fissuras.
Segundo Renata Guerra, o cuidado começa antes da entrada na água.
“A pele precisa estar preparada. Protetor solar resistente à água não é opcional, é uma questão de saúde. Em provas longas, reaplicar sempre que possível faz toda a diferença”, afirma.
Pontos de atenção
• Uso de protetor solar de amplo espectro, com FPS elevado
• Preferência por fórmulas resistentes à água e ao suor
• Atenção especial a áreas de maior exposição, como rosto, nuca, costas e colo
Atrito e assaduras: um risco real
O movimento repetitivo e prolongado pode provocar lesões dolorosas, muitas vezes invisíveis no início, mas incapacitantes ao longo da prova.
“Quem nada longas distâncias sabe que pequenas assaduras podem se tornar grandes problemas. Produtos de barreira ajudam a proteger a pele e evitam que o desconforto comprometa o rendimento”, explica Renata.
Pomadas específicas, vaselina sólida e cremes antiassaduras são aliados frequentes entre atletas de resistência aquática. Para treinos longos, especialmente acima de quatro a cinco horas no mar, Renata reforça que a reaplicação desses produtos é altamente recomendada. “Uma dica prática é colocar a bisnaga dentro da roupa de borracha, o que facilita o acesso durante a prova”, relata.
A atleta também destaca o uso da vaselina sólida antes da entrada na água, aplicada principalmente nas axilas, dorso, pescoço, nuca e virilha, como forma de reduzir o atrito contínuo nessas regiões. Em períodos de calor intenso, outro recurso utilizado com frequência é a pasta d’água, especialmente para proteger áreas mais sensíveis da pele.
Cabelos sob estresse constante
O cabelo também sofre com a exposição prolongada à água, especialmente ao cloro e ao sal. A perda de proteínas, o ressecamento e a quebra são consequências comuns quando não há cuidados adequados.
Renata destaca que a proteção começa antes do treino.
“Molhar o cabelo com água doce antes de entrar na piscina ou no mar reduz a absorção de cloro e sal. Além disso, a aplicação de um creme capilar que contenha proteção contra os raios solares nocivos é fundamental. É um hábito simples, mas extremamente eficaz”, orienta.
Outro cuidado importante, segundo a ultramaratonista, é o banho de água doce imediatamente após a natação, seja em água salgada ou doce, como forma de interromper a ação agressiva desses agentes sobre os fios e o couro cabeludo.
Boas práticas para os fios
• Uso de leave-in ou óleo protetor antes da atividade
• Touca bem ajustada para reduzir o contato direto com a água
• Lavagem com água doce e sabonete ou shampoo de pH neutro após o treino, evitando produtos agressivos
Recuperação pós-treino é parte do desempenho
Assim como o descanso muscular, a recuperação da pele e dos cabelos deve fazer parte da rotina do atleta. A hidratação adequada ajuda a restaurar a barreira cutânea e a manter o equilíbrio do couro cabeludo.
“Cuidar da pele e do cabelo não é vaidade. É entender que o corpo precisa estar íntegro para suportar cargas extremas. A recuperação começa no momento em que o treino termina”, reforça Renata Guerra.
A atleta também destaca que os cuidados não devem se limitar apenas à parte externa do corpo. “Não basta cuidar apenas da pele por fora. A hidratação adequada e uma alimentação balanceada são tão importantes quanto qualquer produto tópico. Todos os nutrientes ingeridos, sólidos ou líquidos, são essenciais para a manutenção da oleosidade e da hidratação natural da pele e dos cabelos. É um cuidado que começa de dentro para fora”, completa.
Saúde e longevidade no esporte
A atenção constante aos cuidados dermatológicos e capilares contribui para a longevidade esportiva e para a prevenção de problemas mais graves, como infecções cutâneas e lesões crônicas.
Para atletas de resistência, pequenos hábitos diários representam grande impacto a longo prazo, preservando não apenas a aparência, mas principalmente a saúde e a performance.
Fontes:
Organização Mundial da Saúde (OMS)
Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
American Academy of Dermatology Association (AAD)
International Marathon Swimming Hall of Fame – orientações para nadadores de longa distância
Bia Villas Bôas é jornalista, assessora de imprensa e colunista, com atuação especializada em comunicação estratégica e reputação digital. Colabora com veículos nacionais e desenvolve projetos de conteúdo para marcas, personalidades e instituições. Também integra iniciativas do ecossistema de mídia e comunicação no Brasil.

