Opinião: Pedágio no km 37 da Raposo Tavares é um retrocesso disfarçado de progresso

A possível implantação de um pedágio no km 37 da Rodovia Raposo Tavares tem gerado grande preocupação entre moradores, empresários e trabalhadores da região oeste da Grande São Paulo. E não é para menos: a medida, se confirmada, pode representar um duro golpe no desenvolvimento econômico local, além de penalizar diretamente milhares de cidadãos que dependem da via diariamente.

A rodovia Raposo Tavares é uma das principais artérias de ligação entre a capital e cidades como Cotia, Vargem Grande Paulista, São Roque e toda a região do Alto Sorocaba. Muitos moradores trabalham em São Paulo e utilizam a estrada diariamente. Outros empreendem ou consomem produtos e serviços locais. Instituir um pedágio nesse trecho é, portanto, taxar o direito de ir e vir, criando uma barreira econômica disfarçada de modernização.

O impacto no setor empresarial será inevitável. Empresas que operam com logística, entregas, prestadores de serviço e comércio sofrerão com o aumento de custos, que invariavelmente serão repassados ao consumidor final. Isso enfraquece a competitividade do comércio local e pode até mesmo desencorajar novos investimentos na região.

Além disso, vale destacar que há uma clara falta de transparência e diálogo com a população. Implantar um pedágio sem amplo debate público e sem apresentar alternativas viáveis, como vias marginais livres de cobrança, demonstra um descompasso entre as decisões do poder público e os reais interesses da população.

O argumento de que os recursos arrecadados com o pedágio serão revertidos em melhorias na estrada precisa ser encarado com cautela. Afinal, a cobrança será imediata, enquanto as melhorias prometidas tendem a ser incertas, tardias e, muitas vezes, limitadas.

É fundamental que a sociedade civil organizada, se mobilize para questionar essa proposta e defender os interesses locais. Queremos sim melhores estradas, mais segurança e infraestrutura. Mas não às custas de um modelo que penaliza quem trabalha, empreende e movimenta a economia da região.

Não podemos aceitar que o progresso venha com barreiras. O desenvolvimento deve ser inclusivo, planejado e equilibrado, e não construído sobre o sacrifício de quem mais depende da rodovia para viver e produzir.

Por Jairo Rodrigues – Jornalista e fundador da Revista Grandes Negócios